| Manifestantes seguram faixa contra impeachment, ajuste fiscal e Eduardo Cunha |
Três dias após os protestos em todo o país pedindo o impeachment de Dilma Rousseff, grupos de esquerda saem às ruas nesta quarta-feira em defesa do mandato da petista.
Em São Paulo, manifestantes ligados ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a partidos como o PT e o PCdoB ocupam a avenida Paulista, mesmo local onde os grupos que querem o afastamento da petista protestaram no último domingo.
O ato contra Dilma, o primeiro realizado desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocou em tramitação o processo de impeachment contra a presidente, reuniu 40,3 mil pessoas na capital paulista no domingo, segundo o instituto de pesquisas Datafolha – número inferior aos registrados em agosto (135 mil), abril (100 mil) e março (210 mil).
A exemplo dos protestos pedindo a saída da presidente, os manifestantes que defendem a permanência de Dilma também protestam em outras cidades do país, como Brasília, Vitória, Salvador, Florianópolis e Recife.
Embora tenham objetivos principais opostos – o afastamento ou não de Dilma –, os grupos que foram às ruas no domingo e nesta quarta possuem ao menos um interesse em comum: a saída de Cunha da presidência da Câmara. Ele é investigado sob a suspeita de envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobras.
Nesta terça, o Conselho de Ética da Casa determinou o prosseguimento ao processo que pode culminar na cassação do mandato do deputado, após oito sessões em que seus aliados haviam conseguido, com sucesso, adiar a decisão. No mesmo dia, a Polícia Federal fez buscas nas residências de Cunha em Brasília e no Rio, em um de seus escritórios na capital fluminense e na Câmara.
Outros políticos, a maioria peemedebistas, também foram alvo da ação. Cunha nega a prática de crimes.
Competição
Nos carros de som espalhados pela avenida Paulista, que foi inteiramente fechada para o ato desta quarta, o tom era de competição. Aos gritos, líderes diziam que a via estava tomada, e que havia mais gente que na manifestação do domingo.
Até a publicação deste texto, ainda não havia estimativas de público.
Em entrevista à BBC Brasil às vésperas do protesto desta quarta, Guilherme Boulos, líder do MTST, previu que ele fosse ser "expressivo".
"Fim de ano é um período difícil, mas vamos conseguir mobilizar seguramente mais de 40 mil, 50 mil pessoas em São Paulo. Em Brasília também será importante", afirmou.
Segundo ele, a "oposição binária" entre os atos do domingo e o desta quarta não reflete toda a agenda da esquerda.
"A pauta é clara contra o ajuste fiscal e pela saída de Eduardo Cunha. Não vamos dar cheque em branco para Dilma, não vamos exaltá-la, este é um governo em grande medida indefensável pelas medidas que tem aplicado", disse.
http://www.bbc.com/portuguese
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